Quando já escondida sob o meu travesseiro, o telefone toca e me faz ouvir o que eu já devia ter esquecido, o que nunca devia ter acontecido, aquela que eu era e não devia ter sido, o nome que não desejo mais ouvir, nunca, nunca mais. Eles não entendem. Eu odeio. E ponto.
quarta-feira, 11 de março de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
mutismo
dia desses, supermercado
tão dona de casa e do nariz,
escolhendo fragrância de sabão em pó pras minhas roupas de todo dia,
um cheiro que agradasse a quem se abraça
(nenhum abraço em especial em mente)
quando,
de repente,
assim sem mais,
entre músicas aleatórias e dispensáveis
tocou uma que
teria me feito chorar, se eu ainda conseguisse;
que me fez lembrar de você
- de você e de todas as histórias que a gente não viveu,
e de todo o hiato a que nos impusemos,
e da minha covardia em admitir que
eu só queria que você soubesse
que a minha maior vontade naquele dia tão impropício de adeus
era dizer que era tudo recíproco,
que eu não imaginava que você
fosse um dia pronunciar aquelas coisas todas.
e fiquei calada,
sentindo o cheiro da tua camisa,
cheiro bom de sabão e perfume e pele,
silêncio pesado,
apenas porque era doloroso demais lidar.
[a vida é feita de momentos estranhos,
pedaços pequenos de pequenos absurdos.]
e me fez lembrar como naquele dia,
(outro dia, bem depois)
eu quis te falar tanta coisa,
esclarecer, retomar, pedir desculpa,
mas era tão complicado
- tão absurdamente inexplicável -
que eu apenas respirei fundo e fingi
que nada tinha acontecido,
que o tempo tinha apagado todos os erros,
que era possível esconder a ponta de dor que despontava
porque pareceu mais fácil,
mas não era.
cheguei em casa
querendo que as coisas pudessem ter acontecido de uma outra maneira,
feliz ou triste, tanto faz,
contanto que apenas mais intensa,
menos velada.
só que
cada um com uma vida própria,
a vida tem vida própria,
e a gente nem controla,
só se abandona,
e navega
e flutua
- enquanto pode.
tão dona de casa e do nariz,
escolhendo fragrância de sabão em pó pras minhas roupas de todo dia,
um cheiro que agradasse a quem se abraça
(nenhum abraço em especial em mente)
quando,
de repente,
assim sem mais,
entre músicas aleatórias e dispensáveis
tocou uma que
teria me feito chorar, se eu ainda conseguisse;
que me fez lembrar de você
- de você e de todas as histórias que a gente não viveu,
e de todo o hiato a que nos impusemos,
e da minha covardia em admitir que
eu só queria que você soubesse
que a minha maior vontade naquele dia tão impropício de adeus
era dizer que era tudo recíproco,
que eu não imaginava que você
fosse um dia pronunciar aquelas coisas todas.
e fiquei calada,
sentindo o cheiro da tua camisa,
cheiro bom de sabão e perfume e pele,
silêncio pesado,
apenas porque era doloroso demais lidar.
[a vida é feita de momentos estranhos,
pedaços pequenos de pequenos absurdos.]
e me fez lembrar como naquele dia,
(outro dia, bem depois)
eu quis te falar tanta coisa,
esclarecer, retomar, pedir desculpa,
mas era tão complicado
- tão absurdamente inexplicável -
que eu apenas respirei fundo e fingi
que nada tinha acontecido,
que o tempo tinha apagado todos os erros,
que era possível esconder a ponta de dor que despontava
porque pareceu mais fácil,
mas não era.
cheguei em casa
querendo que as coisas pudessem ter acontecido de uma outra maneira,
feliz ou triste, tanto faz,
contanto que apenas mais intensa,
menos velada.
só que
cada um com uma vida própria,
a vida tem vida própria,
e a gente nem controla,
só se abandona,
e navega
e flutua
- enquanto pode.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
[...]

Sobre a mesa uma pasta,
uma bolsa, um guarda-chuva preto (e um céu que não queria chover), adoçante, açúcar (esqueceste de pedir o mascavo), sorrisos largos, uma bandeja "suicida", uma fatia gigantesca de torta (que tu juraste que não comeria inteira), um café com leite, um expresso duplo, pequenos goles, grandes planos. E quatro mãos que matavam a saudade.
- um dia, casa comigo?
- caso.
[...]
- Saudade

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que
não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu,
do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida
é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem
se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade,
mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem
vê-lo, mas sabiam-se amanhã (...)
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando
num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa
daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista
como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa
daquela mania de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na Internet
e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o MC Donald’s;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer
com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas
que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor
de um silêncio que nada preenche.(...)
É não saber se ele está feliz,
É não querer saber se ele está mais magro,
se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama,
e ainda assim doer…
Saudade é isso que senti
enquanto estive escrevendo
e o que você, provavelmente, está sentindo
agora depois que acabou de ler.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que
não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu,
do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida
é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem
se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade,
mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem
vê-lo, mas sabiam-se amanhã (...)
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando
num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa
daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista
como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa
daquela mania de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na Internet
e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o MC Donald’s;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer
com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas
que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor
de um silêncio que nada preenche.(...)
É não saber se ele está feliz,
É não querer saber se ele está mais magro,
se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama,
e ainda assim doer…
Saudade é isso que senti
enquanto estive escrevendo
e o que você, provavelmente, está sentindo
agora depois que acabou de ler.
Miguel FalaBella
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
"Pequenos Finais"
Daquilo
Que se alguém juntar
E jogar no lixo,
Não daria em nada
E vê se desencana esse choro
Que não vem,
E me paga certo
Aquilo que eu anotei no verso
Do seu amor
Pra você não esquecer
Que não importa se foi bonito
O fim atravessa
Os idiotas pelo seu inverso
[...]
Disso que eu comi em você
E que engasga sem jeito
Retirando todo o genuíno
De descobrir na sua boca
A xerox de um mesmo beijo.
---------
roubei daqui
Que se alguém juntar
E jogar no lixo,
Não daria em nada
E vê se desencana esse choro
Que não vem,
E me paga certo
Aquilo que eu anotei no verso
Do seu amor
Pra você não esquecer
Que não importa se foi bonito
O fim atravessa
Os idiotas pelo seu inverso
[...]
Disso que eu comi em você
E que engasga sem jeito
Retirando todo o genuíno
De descobrir na sua boca
A xerox de um mesmo beijo.
---------
roubei daqui
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Para todos aqueles que realmente importam:
Eles estão sempre lá. Desejando ou não a presença deles, estando presentes ou não, estão sempre comigo. Mais próximos do que se tivéssemos nascido da mesma mãe e compartilhássemos o mesmo sangue. Dividimos a mesma paixão e quase sempre os mesmos objetivos. Unidos em busca de uma meta, seguimos juntos numa trajetória cheia de desunião e desentendimentos. Mas as coisas só funcionam assim mesmo entre a gente. Quanto mais discutimos e encontramos pontos divergentes entre nós, mais os laços se apertam. E se transformarão em nós que, penso eu, serão impossíveis de serem desatados com o passar do tempo. Eu os amo exatamente por cada coisinha que não suporto em cada um. Suportando as diferenças é que aprendemos a conviver juntos e a conhecer cada vez mais uns aos outros.
Quando a situação chega no limite onde todos perdem o controle, eu paro e digo a mim mesma: "É exatamente aqui nesse lugar e com essas pessoas que eu quero estar!"
A minha existência (resistência, sobrevivência...) está ligada a vocês para todo o sempre.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Tem gente que não sabe esperar...
Post roubado, muito bom realmente...
"Eu: Olha, eu já decidi. Se em uns três anos a vida não melhorar, meto uma bala na cabeça.
Conhecida encontrada no shopping: Três anos? Mas sempre melhora
Eu: É? Então por que existem os suicidas?
Conhecida: Vai ver eles deram um tempo menor, sei lá, uns dois meses.
Bem pensado..."
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